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Resenha de José de Melo - Jornalista, diretor da Rádio Educativa do Paraná

Com um rigor artístico admirável, Rogéria Holtz, em suas apresentações, reúne profissionalismo e competência a uma voz forte e vigorosa. Em disco, traz um repertório sofisticado e longe do óbvio, com arranjos sempre adequados ao seu timbre e técnica.
Acompanho a carreira da Rogéria, a partir da metade da década de 80, quando freqüentava o "Trem Azul" – um destes bares que marcaram época por reunir bom ambiente, boa música, com freqüentadores curiosos e interessados em conhecer novos talentos, e, eventualmente, nomes nacionais que de passagem pela cidade acabavam por dar uma "canja" no bar.
Foi neste período que a moça fez as primeiras aparições em ambientes musicais de Curitiba. O que se seguiu pode ser chamado de trajetória comum aos grandes intérpretes: Festivais, participação em grupo vocal, projetos especiais (do pop ao flamenco), programas para rádio e televisão, shows na capital, interior e em outros estados.

Quando os amigos e admiradores do seu talento – categoria em que me incluo – já estavam cansados de clamar pela gravação do primeiro CD, Rogéria "Acorda", nome do seu primeiro trabalho em disco. O CD apresenta uma cantora que não aceita rótulos que a limitem – poderia cantar blues sim, como sugeriu Roberto Menescal, ser cantora pop, como apontou a crítica "Tupiniquim", mas ela é mais... Eu, em tempos de pós-tanta "coisa", e diante desta enxurrada de novas cantoras, cheias de "barulhinhos bons", a coloco dentro de uma sigla que ainda se mantém: a MPB.

Sempre aberta às novidades e preocupada em acompanhar o trabalho das "outras", para poder se situar , Rogéria Holtz traz a público um novo trabalho onde "mergulha", definitivamente, na literatura poética de Alice Ruiz. "Música criativa e informativa", como diria José Miguel Wisnik.

Blog Sobretudo de Luiz Claudio Oliveira

Rogéria canta Alice ao vivo, hoje
Rogéria Holz: jeito simples e competente de cantar Alice Ruiz


Há uns anos, observei uma mulher cantando dentro do carro. Todo mundo, uma vez ou outra, canta dentro do automóvel, mas daquela vez não era algo assim tão natural. Ela cantava como se estivesse no palco. Gestos, caretas, concentração nos dez segundos da parada no semáforo. Parecia uma diva, uma “road-diva”, com seu palco particular e minúsculo a conduzí-la pela noite de Curitiba. Foi a primeira vez que vi Rogéria Holtz cantando. Não podia ouvi-la, pois os vidros do carro estavam fechados. Felizmente, a voz e a fina estampa de Ro¬¬géria já estão disponíveis em discos, vídeos na internet e sites próprios (http://www.myspace.com/rogeriaholtz) e ela pode ser vista e ouvida quando quisermos. Mas o melhor mesmo é assisti-la ao vivo. É um acontecimento. No palco, ela nos conduz por caminhos poéticos e sensíveis que nos surpreendem e comovem. E Rogéria estará hoje no palco, a partir das 21 horas, no Teatro Positivo. E em ótima companhia. Estará com Alice. Alice Ruiz, como todo bom poeta, é muitos. Alice, que acaba de vencer o Prêmio Jaboti de Poesia com o livro Dois em Um, é das melhores letristas do país. Que o digam Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Paulo Tatit, Iara Ren¬¬nó, Alzira Espínola, Waltel Branco e Zeca Baleiro, que também estará hoje no palco em uma participação especial em duas músicas, entre inúmeros outros parceiros.

O encontro entre Alice e Rogéria vem de longe, mas ficou mais forte no ano passado, quando se concretizou o projeto Rogéria Holtz no País de Alice, que resultou num belo álbum e em uma série de shows. “Rogéria interpreta minhas músicas do jeito que eu gostaria de cantá-las. Eu gosto de falar do simples. E música, a pessoa tem que entender na primeira vez que escuta”, teria dito Alice sobre Ro¬¬géria, segundo release de apresentação do espetáculo. A poeta fala sério pois a dicção de Rogéria é perfeita, talvez aprimorada pelos anos de experiência em locução para rádio e tevê.

Já escrevi uma vez nesta coluna, também falando sobre Ro¬¬géria, como é difícil domar uma voz. O contralto da cantora é poderoso, sai fácil, sem esforço e deve dominar o palco do Teatro Posi¬tivo, fazendo o enorme espaço ficar parecido com o carro no qual vi Rogéria cantar pela primera vez. Mas ela não é só força: é técnica e sensibilidade. A noite promete nesta quarta-feira curitibana. O disco foi produzido por Celso Fonseca, que também gravou guitarra e violão, junto com o grupo principal de músicos: Arthur Maia (baixo), Jorjão Barreto (teclado) e Alex Fonseca (bateria). Mas, no show de hoje, a formação está diferente: Fábio Cardoso (teclado), Glauco Sölter (baixo), Edu Sallum (bateria), Emerson Antoniacomi (guitarra), Vina Lacerda (percussão, Hermes Bruchmann (violão aço). E ainda canjas de Zeca Baleiro, Murillo da Rós e Alice Ruiz. O espetáculo terá a abertura de Wellington Wella (mais um Prêmio Jabuti, sobre o palco. Wella o conquistou há duas edições, com o livro Brasil ao Pé da Letra da Canção Popular). Serviço: Rogéria Holtz no País de Alíce, participação especial Zeca Baleiro. 7 de outubro, às 21 horas. Teatro Positivo (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300). Ingressos: R$ 40 e R$ 20, à venda pelo site www.diskingresso.com.br, nos pontos de venda Disk ingresso e na bilheteria do Teatro Positivo, por R$ 40.

Gentileza na canção

O colega Cristiano Castilho deu a dica e fui conferir o novo disco da Banda Gentileza, à disposição para download pela internet. É o primeiro álbum de estúdio da banda curitibana e que teve a produção do premiado e badalado Plínio Profeta. Canções e mais canções com ritmos variados e letras do tipo crônicas do cotidiano, por Hei¬tor Humberto. Coisa demais para falar correndo aqui. Deixemos para a se¬¬mana que vem. Você também podem baixar e ouvir o disco e me mandar impressões para construirmos o texto juntos.
Até a próxima semana.